A Fundação Telefônica revelou os vencedores do 7º Concurso Causos do ECA durante cerimônia realizada ontem à noite, no Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo. Neste ano, foram recebidas inscrições de 1.167 histórias reais de enfrentamento a violações, que geraram transformação social a partir da aplicação do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente.

Mais de mil pessoas prestigiaram os finalistas, vindo de diversas cidades brasileiras, e se emocionaram com o anúncio dos vencedores. Conduzido pelo ator Caco Ciocler, o evento foi marcado pela interatividade propiciada pelo uso de tecnologias e contou com apresentações do compositor maranhense Zeca Baleiro.

Na ocasião, foi lançado o livro “Causos do ECA: histórias que tecem a rede”, que reúne os 21 “causos” finalistas das categorias texto. Também foi oferecido um e-book com todo o conteúdo da publicação impressa e os vídeos vencedores na categoria “ECA atrás das câmeras”, criada neste ano para incentivar o protagonismo juvenil.

Essa foi a última edição do concurso no formato atual. Após um ciclo de sete anos, a Fundação Telefônica, que neste ano incorporou as atividades do Instituto Vivo em função da fusão de Telefônica e Vivo, vai reavaliar o projeto, para talvez redesenhá-lo dentro de uma nova concepção. Nesse período, o “Causos do ECA” recebeu mais de cinco mil relatos de todas as regiões do país, constituindo-se em um grande retrato da aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente no Brasil.

As histórias vencedoras

Na categoria “ECA como instrumento de transformação”, o primeiro lugar ficou com Cristina Silveira Braga, de Foz do Iguaçu (PR). Sob o título “É possível, mesmo sem uma lâmpada do Aladim”, o texto narra a trajetória de um adolescente que vê suas perspectivas de vida transformadas ao passar por um programa de medidas socioeducativas. O menino, que não acreditava em seu futuro, retomou o contato com a família, voltou a estudar, conseguiu trabalho, se integrou à comunidade e foi realizando, um a um, todos os seus sonhos.

Já na categoria “ECA na escola”, a primeira colocação ficou para Daniela Cristina Botti Hayashida, de Jundiaí (SP), que inscreveu a história “O som da existência”.  Ela conta como uma professora se fundamentou no ECA para convencer a direção da escola a se adaptar para acolher alunos com deficiência auditiva. Seus conhecimentos anteriores em Libras a ajudaram na aproximação inicial com uma aluna surda, que vinha enfrentando dificuldades em seu desenvolvimento escolar. O esforço provocou mudanças, criou oportunidades de capacitação para os professores e favoreceu a integração entre os alunos surdos e ouvintes.

A vencedora da categoria “ECA atrás das câmeras” foi a EEFM Deputado Joaquim de Figueiredo Correia, de Iracema (CE), com “A História de Marquinhos”. Adolescentes, alunos da escola, contam a história de seu colega, Marquinhos, eleito deputado mirim e que foi a Brasília para participar de uma sessão da Câmara dos Deputados. Na tribuna, ele falou da importância do ECA e do trabalho dos conselheiros tutelares. Em seu discurso, defendeu a formação e a correta remuneração desses agentes. A repercussão das palavras de Marquinhos, filho de uma família humilde do sertão nordestino, gerou mudanças no processo de capacitação dos conselheiros em sua cidade.

A votação do júri popular, realizada pela Internet, premiou o “causo” apresentado no formato texto com o título “O som da existência”, de Daniela Cristina Botti Hayashida, que recebeu mais de 6,5 mil votos e o “causo” no formato vídeo denominado “A história de Marquinhos”, da EEFM Deputado Joaquim de Figueiredo Correia, com 914 votos. Foram computados, no total, 17. 485 votos.

Por fim, entre os empregados do Grupo Telefônica, a vencedora foi Joice Gomes Duarte, de São Paulo (SP), com a história “Minhas queridas meninas”. Ela conta como obteve a guarda de duas meninas: Sara, filha de seu marido, que foi acolhida como membro da família desde o nascimento, e Erica, meia-irmã da Sara. A mãe conta como foi todo o processo burocrático e como descobriu a importância de todos os cuidados previstos pelo ECA para o encaminhamento de adoções.

Avaliação e comentários

A Fundação Telefônica entregou R$ 125 mil em prêmios. A escolha dos vencedores foi feita por Comitês de Avaliação, formado por pessoas atuantes na área da infância e juventude, da literatura e do cinema. Foram consideradas a relevância e a aplicação do ECA na história; o exemplo de cidadania; a transformação da realidade da criança ou do adolescente; e a criatividade de apresentação.

As histórias que compõem o livro receberam comentários de personalidades como Ana Maria Barbosa, Benedito dos Santos, Clarice dos Santos, Gabriela Aratangy Pluciennik, Heloísa Prieto, Isa Guará, Itamar Batista Gonçalves, José Fernando da Silva, Laís de Figueirêdo Lopes, Maria de Lourdes Trassi Teixeira, Marília Costa Dias, Paulo Afonso Garrido de Paula, Paulo Lima, Regina Atalla e Renato Mendes, entre outros. A íntegra da publicação pode ser vista no portal Pró-Menino (www.promenino.org.br), bem como os vídeos, que também serão veiculados no YouTube.

O concurso é uma iniciativa da Fundação Telefônica, em parceria com a ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância), por meio do Portal Pró-Menino (www.promenino.org.br), cujo gestor executivo é o CEATS (Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor), da FIA (Fundação Instituto de Administração). O projeto contou com apoio da Lei Rouanet, de Incentivo à Cultura.

Confira todos os vencedores do 7º Concurso Causos do ECA:

ECA como instrumento de transformação

1º lugar: Cristina Silveira Braga – É possível mesmo sem uma “lâmpada do Aladim”
2º lugar: Sillas Freitas de Jesus – Neste Parquinho todo mundo pode brincar!
3º lugar: Sandra Regina Patucci – O ECA é o presente legal para um futuro melhor.
Menção honrosa: Dilva Batista da Silva – Cidadania não é um bicho de sete cabeças…

ECA na Escola
1º lugar: Daniela Cristina Botti Hayashida – O som da existência
2º lugar: Lays Regina Pauloci Manfredi – Os meninos do jornal
3º lugar: Suzete Faustina dos Santos – Metamorfose
Menção honrosa: Leonardo José da Silva – O desafio de incluir, sobre sorrisos e direitos

ECA Atrás das câmeras
1º lugar: EEFM Deputado Joaquim de Figueiredo Correia – A História de Marquinhos
2º lugar: Grupo Cultural Arte Favela – Catador de Sonhos
3º lugar: Arrastão Movimento de Promoção Humana – Poéticas Visuais – Direito de Ser
Menção honrosa: Associação Novolhar – Sombra

Premiação Júri Popular
Na versão texto: Daniela Cristina Botti Hayashida – O som da existência
Na versão vídeo: EEFM Deputado Joaquim de Figueiredo Correia – A História de Marquinhos

Empregados Telefônica
1º lugar: Joice Gomes Duarte – Minhas Queridas Meninas

Números do concurso
A sétima edição do concurso contou com participação de Estados das cinco regiões brasileiras. A maior parte das histórias foi enviada pela região Sudeste (60,7%), seguida do Nordeste (20,5%), Sul (11%), Centro-Oeste (4,8%) e Norte (3%).

As vítimas das violações relatadas eram, em sua maioria, crianças (35,8%), adolescentes com mais de 12 anos (32,2%) e até bebês (10,9%). Na descrição das soluções, foi constatado que em 27% dos “causos” a criança, o adolescente ou a família envolvida foram incluídos em programas ou projetos sociais; em 25%, as crianças voltaram ou passaram a frequentar a escola, enquanto 19% foram abrigadas. Em 16% das histórias, houve adoção ou guarda da criança e, em 12%, o adolescente foi empregado ou começou a trabalhar.

A categoria geral “ECA como Instrumento de Transformação” respondeu por 77% das inscrições, enquanto 16% das histórias foram enviadas para a categoria “ECA na Escola” e 4% para “ECA atrás das câmeras”. As inscrições de empregados responderam por 3% do total.

Fonte: Fundação Telefônica