Estudo é resultado de pesquisa realizada em oito países e aponta o Brasil como líder nos aportes de Pesquisa e Desenvolvimento na região

A inovação pode ajudar a América Latina a crescer economicamente, aumentar a produtividade, incrementar o comércio e melhorar o bem-estar da população. A constatação é do estudo  InnovaLatino: Promovendo a Inovação na América Latina, que contém  resultado de pesquisa exclusiva no continente, lançado hoje pela Fundação Telefônica durante o Open Innovation Seminar.

O estudo foi conduzido durante dois anos pela escola de negócios INSEAD e pelo Centro de Desenvolvimento da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), com o apoio da Fundação Telefônica. A apresentação ficou a cargo de Lourdes Casanova, professora da INSEAD e co-leader do InnovaLatino Project.

Foram ouvidas 1.500 empresas na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, México, Peru e Uruguai. A publicação reúne, ainda, mais de 50 estudos de caso de diferentes empresas e organizações identificadas como líderes em inovação nos seus setores. Do Brasil, figuram FINEP (instituição que promove inovação), Marcopolo e Natura (grandes empresas), Stefanini e UNICA (pequenas e médias companhias e empresários), Petrobras e CDI – Comitê para a Democratização da Informática (inovadores sociais).

O estudo mostra que alguns países da América Latina têm modelos de negócios e métodos de marketing altamente inovadores, mas toda a região tem uma certa defasagem em relação aos países-membros da OCDE, em termos de inovação.

A recomendação dos pesquisadores é para que a América Latina aproveite sua força econômica, especialmente os abundantes recursos naturais, para aumentar os investimentos destinados à educação e P&D – Pesquisa e Desenvolvimento. Na média, a América Latina gasta 0,3% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, dois pontos percentuais abaixo da média da OCDE (2,3%).

O Brasil lidera os aportes em P&D na região, seguido do Chile. O estudo recomenda também que a educação seja melhorada por meio de parcerias entre universidades, setor privado e outros atores. Por fim, sugere o uso de sistemas de informação para dar suporte a políticas de inovação

Telefonia móvel

A pesquisa dedica um capítulo para a utilização de aplicativos móveis e desenvolvimento socioeconômico. O estudo aponta indícios de que a amplitude das telecomunicações móveis melhora o crescimento econômico e o bem-estar do consumidor nos países menos desenvolvidos.

“Os benefícios são maiores em comunidades de baixa renda, em particular nas áreas rurais”, conclui o relatório. Além do benefício direto da comunicação, são apontados benefícios indiretos da tecnologia, que incluem a facilitação do empreendedorismo e da busca de trabalho, a redução de assimetrias de informação e economia de custo decorrente da substituição do transporte. “A telefonia móvel proporciona o aumento do desenvolvimento socioeconômico e da mobilidade, e oferece uma ferramenta para reduzir a pobreza”, assinala o texto.

O relatório diz, ainda, que os proprietários de pequenas e médias empresas utilizam celulares como importante instrumento de vendas de serviços e produtos, para avaliação de canais de distribuição, contato com clientes ou fornecimento de suporte pós-venda e acompanhamento.

Sobre o Open Innovation Seminar

O Open Innovation Seminar será promovido pela Fundação Dom Cabral até amanhã, em São Paulo. Trata-se do primeiro seminário latino-americano dedicado exclusivamente ao tema. O objetivo é disseminar as práticas de inovação aberta no Brasil e no mundo, conectar as pessoas que participam do processo de inovação visando à formação de redes e parcerias e fomentar o compartilhamento de informações. O tema deste ano é Crescimento sustentável apoiado em redes de inovação: uma agenda para o Brasil.

Fonte: Fundação Telefônica