“Memórias de um Sargento de Milícias”; “O Cortiço” e “Dom Casmurro” ganham uma nova plataforma. Com apoio da Fundação Telefônica Vivo, os três livros considerados clássicos da literatura brasileira são transformados em games. A iniciativa será apresentada durante a Bienal do Livro de São Paulo – que ocorre entre os dias 9 e 19 de agosto -, pelo escritor Toni Brandão, responsável pelo roteiro do projeto. Brandão, roteirista da última adaptação para TV da série Sítio do Pica Pau Amarelo, participa do evento para falar sobre sua experiência de construir narrativas multimídia a partir dos clássicos. O bate-papo “Para além das páginas dos livros” será realizado no dia 13 de agosto, às 18h, no salão de Ideias da Bienal.

A ideia de transformar literatura em game surgiu de uma percepção de que a cultura digital pode contribuir para promover o acesso de jovens à literatura brasileira. “Os jogos eletrônicos são a mais completa tradução do jovem de hoje em dia: globalizado, eletrônico, digitalizado. Estamos diante da melhor porta de acesso para se comunicar com os jovens, fazê-los refletir e se divertir ao mesmo tempo”, analisa o roteirista. Esta é também a opinião do coordenador do projeto, Celso Seabra. Para ele, oferecer a literatura no espaço cibernético, onde todos os jovens estão conectados, é uma forma de renovar o interesse desse público. “A própria literatura está buscando o seu papel nesse novo espaço, a mudança não é somente de suporte, é uma mudança de linguagem. Então o livro game é uma alternativa nessa busca”, comenta.

Foi apostando nesta oportunidade que a Fundação Telefônica premiou Jogos Clássicos entre os 8 projetos selecionados no edital de cultura digital, lançado em 2011. “O projeto aproxima esse conteúdo tão importante no repertório cultural brasileiro do público jovem, com a perspectiva de ampliar o gosto pela leitura dessas obras”, afirma Milada Gonçalves, gerente de Educação e Aprendizagem da Fundação Telefônica Vivo.

Novos formatos

As narrativas multimídia abrem novas possibilidades para os autores e também para leitores (ou usuários-jogadores).  “Cada vez mais as pessoas serão convidadas a mergulhar, reconstruir, colaborar e transformar as histórias”, aposta Brandão. Por isso, os roteiros dos jogos são construídos a partir das tramas e conflitos dos personagens centrais dos romances, mas os desfechos quem define é o jogador. Em “O Cortiço”, por exemplo, joga-se sob o ponto de vista de João Romão, o dono do Cortiço, protagonista que tem por objetivo aumentar seu patrimônio.

O mesmo acontece no jogo. A história se desenrola quando o jogador tem de decidir como se fosse Romão, ao optar pela construção de novos cômodos, pelos custos de aluguel e salários ou pela venda produtos. O diferencial é que ao mesmo tempo em que a  trama do jogo envolve de forma lúdica, o texto original aparece no decorrer das fases, como um convite ao jogador a ler a obra na íntegra.

Os jogos poderão ser acessados online pelo site www.livroegame.com.br ou por CDROMs, onde também será possível ter acesso a versão original dos livros. Os CDs serão distribuídos gratuitamente para 80 monitores de postos dos telecentros Acessa São Paulo, que atendem principalmente escolas e bibliotecas.

Fonte: Fundação Telefônica Vivo