Com isso, concluímos que a maior entrega do nosso programa era a geração de maior consciência social do voluntário dentro da comunidade que ele estava inserido: o que é muito bem-vindo dentro de um Brasil que convulsiona em desafios políticos e socioeconômicos há décadas.
Em 2020, mesmo diante da pandemia da COVID-19 resolvemos realizar uma ambiciosa e necessária mudança no nosso programa: descontinuar 100% da nossa atuação com iniciativas ligadas à educação de crianças e adolescentes de 0 a 12 anos e começar um novo capítulo de atuação dentro de projetos e organizações ligadas à cadeia da moda.
Neste desafio, que está nos demandando um esforço no entendimento sobre como somar os conhecimentos que nossos voluntários têm sobre o varejo de moda às necessidades dessas organizações, encontramos uma oportunidade única: gerar mais impacto junto a esses novos parceiros.
Dentro da cadeia da moda, mapeamos nas organizações um novo perfil de beneficiado: mulheres, comunidades periféricas, o público LGBTQIA+, egressos do sistema prisional, pessoas com deficiência, idosos, migrantes e refugiados e a comunidade negra. E é com essas pessoas que estamos criando um novo jeito de fazer voluntariado.
A primeira ação que tivemos dentro desse propósito foi deixar de priorizar e perseguir o indicador de engajamento, ou seja, não temos como principal objetivo trazer ais voluntários ao nosso programa, ainda que esse seja um indicador importante. Queremos a partir de agora nos fixar sobre o legado e transformação que esses voluntários podem deixar nas comunidades.

Esse combinado, em alinhamento com as lideranças da C&A permitiu que neste ano nos debruçássemos mais em diálogos profundos com as organizações, com trocas e conversas intensas entre voluntário e beneficiado que vem trazendo resultados importantes onde o “match” conhecimento e necessidade é mais efetivo.

Nesta mudança, estamos colecionando histórias de mudança e impactos tangíveis e intangíveis com iniciativas como o Coletivo Trans Sol (que atende o público de mulheres transexuais e travestis) que não só conseguiu manter sua operação durante a pandemia, mas também junto com os voluntários estão preparando lançamento de nova coleção para 2021, com o projeto Costurando Sonhos em Paraisópolis que se fortaleceu através de uma ação voluntária e agora está expandindo a capacitação de mulheres para a moda em mais comunidades do Brasil através do G10 das Favelas, com o Coletivo Tem Sentimento que atua em uma das regiões mais vulneráveis de São Paulo, a Cracolândia, desenvolvendo com os voluntários uma coleção e um desenvolvimento de seus canais digitais de venda.

Essas histórias têm nos inspirado a criar essa nova narrativas dentro do voluntariado corporativo. Com nossos parceiros no centro de nossa estratégia, buscamos na nossa próxima avaliação ter ido além dos benefícios de ser voluntário para os colaboradores e a C&A, mas também cumprir com maior assertividade o nosso compromisso como investidor social privado: fortalecer as comunidades por meio da moda.